Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Canto ao Ano Novo


(Surreal - PopFizzle)
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CANTO AO NOVO ANO
(André L. Soares)
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Que os desejos, há muito insatisfeitos,
renasçam ao centro do peito,
mil vezes multiplicados.
Que a alegria, que já se contava perdida,
não se converta em partida,
mas em novo e dócil abraço.
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Que o perdão, sentimento esquecido,
se faça o mais belo hino
ouvido em todos os lares.
Que a escuridão, da paixão que já se fora,
ganhe as cores do sol
em nossa linda quimera.
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Que a coragem, pivô da transformação,
estimule os homens bons
a fazerem o que é preciso.
Que a humanidade, farta de sabedoria,
encontre os valores nobres.
e faça um mundo melhor.
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Que todos nós, corrigindo os próprios erros,
conheçamos a nós mesmos
e possamos nos amar mais.
Que a esperança, companheira dos aflitos,
se espalhe pelo planeta
pela força dos sorrisos.
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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Onde Não Há Natal


(Hungry - S. Caruso)
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ONDE NÃO HÁ NATAL
(André L. Soares)
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Há, no ar... a nota triste
da viola caipira que lamenta,
chorando, tal chuva de primavera,
como se ser feliz fosse loucura.
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Há, no céu... o traço fosco,
riscando o azul com cor cinzenta,
resquício da antiga maravilha
da estrela que há muito se apagara.
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Há, no chão... só a esperança
da rosa novamente orvalhada,
fazendo rir a criança que agoniza
no retorno da pureza que se fora.
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

A Fome


(Bullet - Trozo)
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A FOME
(André L. Soares)
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A Fome é uma fera
que devora os sonhos,
ferindo o orgulho do homem.
Implacável, não espera
que se alcance eficácia
com medidas burocráticas.
A Fome se mostra
sorrateira e sinistra
na azia da dor gástrica.
Invisível, rói por dentro...
e se o estômago é um vão,
ela se faz solitária.
A Fome é um cão voraz,
devorando o país,...
corrompendo os cidadãos.
É uma praga que se alastra
pelos becos das favelas,
gerando ódio e inveja.
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A Fome é traiçoeira,
joga homens na cadeia;
a Fome é cafetina,
põe uma puta em cada esquina;
a Fome é assassina,
põe uma arma em cada (ir)mão.
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A Fome é essa inimiga
gerada dentro da barriga,
como um feto que odeia a mãe.
Irmã-gêmea da Morte,
aborta tudo que é sublime...
da Fome nasce o crime.
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Canto Solo


(Vendedor de chapéus - Eugênio de Proença Sigaud)
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CANTO SOLO
(André L. Soares)
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Ando cansado
de ser o único:
…eu, meu mais fraco,
meu mais novo;…
…eu, meu mais forte,
meu mais velho
[vendo o mundo pelo espelho];…
a buscar, somente em mim
cada conselho;
sem a quem correr
para um consolo;
perdido e desafinado
nesses vôos e cantos solos.
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Estou cansado
e, de novo,
quero um colo
pra sonhar.
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Ideologia Nua


(Justice - Pierre Subleyras)
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IDEOLOGIA NUA
(André L. Soares)
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Inda ontem era tua voz que se ouvia,
destilando frases fortes, sobre a terra...
e os humildes em tuas vestes se agarravam,
ostentando com bravura tuas bandeiras,
lutando de mãos limpas, contras as armas,
organizados para vencer a tirania,...
gritando cânticos nascidos da alma,
irmanados no humanismo das idéias,...
até o instante em que os abandonaste:
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nesse ato de despir-te frente ao mundo,
unindo ao opressor, tua pele então vazia,
ao trair o povo, que hoje segue à revelia.
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Olhos Felizes


(Primavera - Jose Royo)
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OLHOS FELIZES
(André L. Soares)
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Aventureiro...
o meu beijo é Marco Pólo
em busca de tuas Ilhas Virgens,
percorrendo,... absorto,...
pêlos e poros desse corpo,
até que sintas vertigens,...
enquanto minhas retinas
– hábeis atrizes –
fingem não ver, em teu rosto,
o brilho (in)comum aos olhos...
quando felizes.
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Inteira


(Bunny Boiler - Sas Christian)

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INTEIRA
(André L. Soares)
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Perdoa,...
por ser falso
ante toda tua verdade;
quase alheio
à tua doce presença;
por ser o teu exclusivo,
tu que nunca és minha primeira.
Perdoa,...
por sempre voltar aos cacos,
a ti,...
que somente vens inteira.
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Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Samba do Amor Perfeito


(Lolipop - Tavish)
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SAMBA DO AMOR PERFEITO

(André L. Soares)

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Confessa logo que você me deseja, [ Ele ]

que se falo em seu ouvido você fica louca;

que seu corpo até lateja se ouve minha voz,

que quando pensa em nós, fica toda faceira;

quer rasgar a roupa e se entregar inteira,

quase me implorando um beijo na boca.

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Confesso logo que eu jamais lhe esqueço, [ Ela ]

que se fala em meu ouvido, acaba toda pressa;

que quando penso em nós, nada mais interessa,

que quando você passa, perco minha cabeça;

nem mesmo sei meu nome, telefone, endereço

e suplicar seu beijo é todo que me resta.

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Sendo o que se quer, acertaremos o passo [ Juntos ]

no compasso do destino que nos faz unidos;

decididas almas-gêmeas que se apaixonaram,

macho e fêmea que se amam, assaz atrevidos;

somos dois banidos desse Paraíso imperfeito,

revelando a todos que o amor é possível.

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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Sem Metáforas


(Battle at Balaclava - Eliot Elisofon)
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SEM METÁFORAS
(André L. Soares)
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A gente pode prosseguir blefando
– ou não –
que o mal será curado com falsa democracia;
que eleição e referendo são remédios eficazes;
que Deus é brasileiro e essa nação tem bom futuro
e que a moral religiosa aponta mesmo uma saída.
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A gente pode continuar mentindo
– ou não –
que a corrupção se estancará pela via do Direito;
que bem distribuir renda se faz com negociação;
que não derramar sangue torna todos mais felizes
e que se faz revolução sem que haja algumas perdas.
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A gente pode dizer, se equivocando
– ou não –
que o narcotráfico está sendo mesmo derrotado;
que as garras das máfias não se apossaram do Estado;
que somente a educação vence a injustiça social
e que é algo construtivo o que chamamos de mídia.
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A gente pode persistir se iludindo
– ou não –
que se deve acatar a ‘banda podre’ da polícia;
que a morte não é cura exata para os crimes políticos;
que humanismo recupera estuprador e assassino
e que nossa covardia nos faz um povo especial.
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A gente pode ir avante se enganando
– ou não –
que basta fechar os olhos ao que sofre o vizinho;
que o povo não pode assumir o controle de um país;
que se pode viver bem negando a guerra civil
e que ninguém quer ver cortado esse mal pela raiz.
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A gente pode até deixar que as elites roubem tudo.
A gente pode ser passivo e até mentir que é cristão.
A gente pode até viver em um nível subumano.
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Mas até quando?
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